sexta-feira, 6 de junho de 2014

Auto da Barca do Inferno- Gil Vicente

Auto da Barca do Inferno



Características:
- "Auto" é uma designação genérica para peça, pequena representação teatral. Originário na Idade Média, tinha de início caráter religioso; depois tornou-se popular, para distração do povo
- Faz parte do Humanismo.
- Na obra Gil Vicente critica situações da época
- O Auto da Barca do Inferno é composto de um único ato e cenas sustentadas pelo diálogo do Diabo com os demais personagens e do Anjo com os demais personagens
- O espaço do auto é irreal, alegórico, a margem de um rio com duas barcas prestes a partir: uma delas, conduzida por um Anjo, leva ao paraíso, a outra, conduzida por um Diabo, leva ao inferno, num tempo igualmente irreal, o pós-morte, sem duração precisa


Personagens:

ANJO 
– arrais, ou seja, navegante da barca celeste. 

DIABO E SEU COMPANHEIRO 
– conduzem a barca infernal. 



 











 FIDALGO 
– representa todos os nobres ociosos de Portugal. 











ONZENEI RO
– simboliza o pecado da usura e a classe dos agiotas. 












PARVO 
– representa o povo português, rude e ignorante, porém bom de coração e temente a Deus. 

 






SAPATEIRO
- Condena a cobiça, como o povo que explora o povo.







FRADE 
– representa os maus sacerdotes. 
( Leva junto com ele Florence)















BRÍSIDA VAZ 
– alcoviteira (cafetina), simboliza a degradação moral e a feitiçaria popular. 







JUDEU 
– representa os infiéis, que são alheios à fé cristã. 









CORREGEDOR E PROCURADOR
 – encarnam a burocracia jurídica da época. 









ENFORCADO 
– é o símbolo da falta de fé e da perdição. 











QUATRO CAVALEIROS 
– representam as cruzadas contra os mouros e a força da fé católica.





Autor e Obra
Gil Vicente
Pouco se sabe sobre a vida de Gil Vicente, autor de Auto da Barca do Inferno. Ele teria nascido por volta de 1465, em Guimarães ou em outro lugar na região da Beira. Casado duas vezes, teve cinco filhos, incluindo Paula e Luís Vicente, que organizou a primeira compilação das suas obras.

No início do século 16, há referência a um Gil Vicente na corte, participando dos torneios poéticos. Em documentos da época, aparece outro Gil Vicente, ourives, a quem é atribuída a Custódia de Belém (1506), recipiente para exposição de hóstias feita com mais de 500 peças de ouro. Há ainda mais um Gil Vicente que foi "mestre da balança" da Casa da Moeda. Alguns autores defendem, sem provas, que os três seriam a mesma pessoa, embora a identificação do dramaturgo com o ourives seja mais viável, dada a abundância de termos técnicos de ourivesaria nos seus autos.
Obras
  • Auto da Barca do Inferno
  • Auto da Alma
  • A Farsa de Inês Pereira
  • Quem tem farelos?
  • Auto da da fé
  • Auto da Lusitâna


Exercícios
1. (FUVEST) Indique a afirmação correta sobre o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente:

(A) É intricada a estruturação de suas cenas, que surpreendem o público com a inesperado de cada situação.
(B) O moralismo vicentino localiza os vícios, não nas instituições, mas nos indivíduos que as fazem viciosas.
(C) É complexa a critica aos costumes da época, já que o autor primeiro a relativizar a distinção entre Bem e o Mal.
(D) A ênfase desta sátira recai sobre as personagens populares mais ridicularizadas e as mais severamente punidas.
(E) A sátira é aqui demolidora e indiscriminada, não fazendo referência a qualquer exemplo de valor positivo.


2.(FUVEST) Diabo, Companheiro do Diabo, Anjo, Fidalgo, Onzeneiro, Parvo, Sapateiro, Frade, Florença, Brígida Vaz, Judeu, Corregedor, Procurador, Enforcado e Quatro Cavaleiros são personagens do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.

Analise as informações abaixo e selecione a alternativa incorreta cujas características não descrevam adequadamente a personagem.

(A) O Onzeneiro idolatra o dinheiro, é agiota e usurário; de tudo que juntara, nada leva para a morte, ou melhor, leva a bolsa vazia.
(B) O Frade representa o clero decadente e é subjugado por suas fraquezas: mulher e esporte; leva a amante e as armas de esgrima.
(C) O Diabo, capitão da barca do inferno, é quem apressa o embarque dos condenados; é dissimulado e irônico.
(D) O Anjo, capitão da barca do céu, é quem elogia a morte pela fé; é austero e inflexível.
(E) O Corregedor representa a justiça e luta pela aplicação integra e exata das leis; leva papéis e processos.


3. (UNICAMP) Leia o diálogo abaixo, de Auto da Barca do Inferno:

DIABO
Cavaleiros, vós passais
e não perguntais onde ir? 

CAVALEIRO
Vós, Satanás, presumis?
Atentai com quem falais!

OUTRO CAVALEIRO
Vós que nos demandais?
Siquer conhecê-nos bem.
Morremos nas partes d’além,
e não queirais saber mais.

(Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno, em Antologia do Teatro de Gil Vicente. Org. Cleonice Berardinelli, Rio de Janeiro: Nova Fronteira/ Brasília: INL, 1984, p.89.)

A) Por que o cavaleiro chama a atenção do Diabo?

B) Onde e como morreram os dois Cavaleiros?

C) Por que os dois passam pelo Diabo sem se dirigir a ele?



4. (PUC) Considerando a peça Auto da Barca do Inferno como um todo, indique a alternativa que melhor se adapta à proposta do teatro vicentino.

A) Preso aos valores cristãos, Gil Vicente tem como objetivo alcançar a consciência do homem, lembrando-lhe que tem uma alma para salvar.
B) As figuras do Anjo e do Diabo, apesar de alegóricas, não estabelecem a divisão maniqueísta do mundo entre o Bem e o Mal.
C) As personagens comparecem nesta peça de Gil Vicente com o perfil que apresentavam na terra, porém apenas o Onzeneiro e o Parvo portam os instrumentos de sua culpa.
D) Gil Vicente traça um quadro crítico da sociedade portuguesa da época, porém poupa, por questões ideológicas e políticas, a Igreja e a Nobreza.
E) Entre as características próprias da dramaturgia de Gil Vicente, destaca-se o fato de ele seguir rigorosamente as normas do teatro clássico.


Gabarito
1) B
2) E
3) RESPOSTAS:

A) Porque a fala do Diabo revela seu desrespeito para com um Cavaleiro de Cristo, que morre para defender e propagar a fé cristã. Quem defende a causa cristã não vai na Barca do Inferno.

B) Os dois Cavaleiros morreram nas "partes d’além", em um combate contra os mouros na defesa da Igreja.

C) Porque estão conscientes da salvação e de que vão na Barca da Glória.

4) A ,COMENTÁRIOS: Gil Vicente, teatrólogo inserido no Humanismo, ainda mantém forte ligação com os valores medievais, sobretudo os cristãos. Dessa forma, busca a moralização do homem para que este encontre a salvação de sua alma.

Na Atualidade...


- Em nosso país Padre Anchieta escreveu, por exemplo, O Auto da Compadecida, que apresenta vários pontos em comum com as obras vicentinas. 






Aqui tem um vídeo que eu postei!

Fontes: 
Auto da Barca do Inferno- Editora L&PM Pocket
Livro "Português Linguagens 1"- Editora Saraiva

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